Infraestrutura: País investe apenas metade do necessário

Posted: June 14, 2015 in Uncategorized
Até 2018, o Brasil poderá receber R$ 1,19 trilhão de investimentos em obras de infraestrutura. Esta cifra está vinculada a 8.300 obras em andamento, em projeto ou em intenção em oito setores da economia: óleo e gás, transporte, energia, saneamento, indústria, infraestrutura de habitação, infraestrutura esportiva e outros (hotéis, shopping centers etc.).
“Estamos muito abaixo do que o Brasil necessita. O ideal seria investir 5% do PIB e se investe 2,5%”, pontuou Eurimilson J. Daniel, vice-presidente da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema).
Daniel fez esse comentário em 13 de novembro, no Espaço Hakka, no bairro da Liberdade, em São Paulo, quando foi apresentada para centenas de executivos de empresas a 4ª edição da pesquisa “Principais Investimentos em Infraestrutura no Brasil até 2018”, encomendada pela Sobratema às empresas Criactive e e8 Inteligência.
Segundo Daniel, que também é o principal executivo da Escad Rental, o Brasil atualmente investe proporcionalmente menos, em relação ao PIB, que países menores, como o Chile, por exemplo, ou de rápida expansão econômica, como a China. O custo Brasil e as taxas de juros, disse ele, funcionam como algozes do desenvolvimento da economia do país. As carências em infraestrutura preocupam os empresários de praticamente todos os ramos de atividade.
A pesquisa da Sobratema revela que há R$ 497,2 bilhões sendo investidos em 4.614 obras em andamento. Também há intenção de investir R$ 697,3 bilhões em outras 3.686 obras. Desse total, contabiliza-se R$ 444,6 bilhões (604 obras) com data de início e R$ 252,7 bilhões (3.082 obras) estão no papel, sem previsão para começar.
O segmento de transportes é o que responde pela maior fatia do bolo de investimentos. Calcula-se que há R$ 369,6 bilhões de investimentos programados para o período 2013-18, o que equivale a 30,94% do total previsto. Com um valor da ordem de R$ 34,6 bilhões, o trem de alta velocidade (TAV) é o principal projeto do setor e não tem data para começar. Outros modais que concentram os maiores montantes de investimentos: ferrovias, 34,5%; portos e hidrovias, 25,3%; e rodovias, 14,3%. Considera-se que os recursos destinados a essas três modalidades são estratégicos para reduzir os gargalos existentes na área logística, que resultam em custos adicionais para toda a cadeia produtiva. No ano passado, o investimento destinado à área de transporte representou apenas 0,92% do PIB.
Óleo e gás – O setor de óleo e gás, com aportes da ordem de R$ 346,6 bilhões, abarca 29,02% do total de investimentos previstos. A pesquisa apurou que as obras em andamento de 2009 até 2012 totalizaram R$ 365,1 bilhões. Investimentos de 2013 a 2018 (obras em andamento): R$ 242,2 bilhões; R$ 9 bilhões de investimentos em obras paralisadas; e R$ 104,3 bilhões em intenção.
O novo Plano de Negócios da Petrobras definiu 947 projetos que deverão receber US$ 236,7 bilhões até 2018 – destes, 770 estão em andamento e 177 em avaliação. A exploração e a produção de petróleo ficam com 62,3% do montante geral, por conta, principalmente, da produção ligada às reservas nas áreas do pré-sal. Além do pré-sal, as refinarias do Maranhão e de Fortaleza estão entre as principais obras desse ramo.
Daniel afirmou que a Petrobras tem investido, ultimamente, a média de R$ 43 bilhões/ano. Mas, em 2013, o nível caiu para R$ 42 bilhões. A expectativa, no entanto, é a de que em 2014 os investimentos da estatal subam 14% em relação ao exercício atual. “Não é o suficiente, mas é um caminho”, ele opina.
O setor energético tem investimentos previstos da ordem de R$ 196,1 bilhões. As obras de geração de eletricidade representam 87,6% desse total. A evolução da relação entre as fontes renováveis (46%) e as não renováveis (54%) continua relativamente estável, com destaque apenas para o crescimento contínuo das fontes renováveis alternativas, que representavam 3,1% em 2003 e 4,6% em 2012. A oferta de energia cresceu somente 0,3%, novamente abaixo do PIB e abaixo do crescimento populacional. Na outra ponta, o aumento de consumo em 2012 foi de 3,8%.
Pior ainda é a situação do setor de saneamento básico, cuja universalização do sistema de escoamento e tratamento de esgoto ainda está distante: somente 48% da população tem esgoto coletado e 37,5% tem o esgoto tratado. De acordo com o levantamento da Sobratema, esse segmento deverá receber, até 2018, investimentos de R$ 55,6 bilhões.
O Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) prevê, no entanto, que sejam aportados recursos da ordem de R$ 508,5 bilhões em obras de abastecimento de água potável, coleta e tratamento de esgoto e lixo e em ações de drenagem, entre 2014 e 2030. Do total de investimentos previstos, R$ 298 bilhões serão recursos federais e R$ 210 bilhões de outros agentes.
Na área de habitação, o programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal, tem apresentado a maior taxa de realização do chamado PAC 2 – Programa de Aceleração da Economia. Até agosto deste ano, foram concluídos empreendimentos no valor de R$ 278 bilhões, com a entrega de 1,32 milhão de moradias, o que beneficiou mais de 4,6 milhões de pessoas. Os investimentos previstos apenas para a infraestrutura de habitação, até 2018, giram em torno de R$ 10,5 bilhões.
No país que será sede da Copa do Mundo de Futebol (2014) e da Olimpíada de 2016 (Rio de Janeiro), a infraestrutura esportiva ocupa lugar de destaque na pesquisa da Sobratema. As arenas, estádios e instalações para a Copa e para os Jogos terão investimentos totais de R$ 5,4 bilhões no período 2013-2018.
O segmento composto por hotéis e resorts, shopping centers, hospitais, universidades, teatros e edifícios públicos deverá receber aportes de R$ 65,4 bilhões. Já o setor industrial deverá absorver investimentos de R$ 145,3 bilhões no período 2013-18.
A pesquisa da Sobratema é editada desde 2010 e gera um entendimento maior sobre a necessidade de investimentos em infraestrutura no Brasil para a redução de gargalos que dificultam o crescimento econômico e a elevação da competitividade. Para a elaboração do documento, mais de mil fontes primárias e secundárias foram consultadas e entrevistas foram realizadas com as principais construtoras do país.
As empresas – O consultor Brian Nicholson exibiu durante o evento o resultado de uma sondagem realizada em outubro deste ano com construtoras e locadoras do mercado de equipamentos para construção. Para 46% delas, 2013 foi um ano pior do que o esperado. 44% disseram, no entanto, que o ano foi melhor em volume de negócios do que 2012.
Entre os principais problemas apontados pelos empresários estão: o atraso em obras (76%), o custo da mão de obra (24%) e a falta de mão de obra especializada (24%). 2014 será um ano melhor do que este para 52% dos entrevistados. Já a demanda por equipamentos de construção deverá ser maior (54% das opiniões).
Daniel exibiu dados de pesquisa efetuada com as principais construtoras: 78% disseram que cresceram em 2013; a burocracia é o principal gargalo (89%). Para 56%, a expectativa é a de que 2014 será um ano igual a este exercício. E 33% manifestaram a opinião de que as obras da Petrobras devem continuar.
Rubens Sawaya, da Insight Consultoria Econômica, classificou 2013 como um “ano lento”, com o PIB crescendo ao redor de 2% e baixa taxa de investimentos. “Há um ensaio de recuperação econômica. Mas ainda é lento”, declarou. Não há perspectiva de descontrole inflacionário e 2014 deverá registrar crescimento econômico baixo (3,5%), porém melhor do que 2013. Por ser ano eleitoral, a aposta é que haverá retomada do gasto público.

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