Archive for June, 2015

Entre 2013 e 2018, os investimentos em infraestrutura no Rio Grande do Sul deverão totalizar aproximadamente R$ 40 bilhões. No Brasil, o montante previsto é de cerca de R$ 1,190 trilhão. Os números constam da pesquisa Principais Investimentos em Infraestrutura no Brasil até 2018, encomendada pela Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema) às empresas Criactive e e8 Inteligência.

Um dos pontos que chama a atenção no estudo, divulgado na quarta-feira, é que mais da metade dos investimentos no setor de infraestrutura no Estado se concentrará no segmento de óleo e gás (R$ 20,2 bilhões). Nessa estimativa, está incluída a construção de boa parte dos oito cascos dos FPSOs (sigla em inglês para plataforma flutuante de petróleo) que serão feitos pela Ecovix no polo naval de Rio Grande. Em outras áreas, o documento destaca como obras relevantes o projeto da hidrelétrica Garabi (a ser instalada na fronteira com a Argentina) e a reforma do Beira-Rio, estimada em R$ 330 milhões.

O coordenador do grupo temático de energia da Fiergs, Carlos Faria, concorda com a projeção do levantamento de que a cadeia do óleo e gás puxará os investimentos na infraestrutura gaúcha. Além das encomendas de plataformas feitas pela Petrobras, que serão realizadas em Rio Grande, o dirigente ressalta que há a implantação do polo naval do Jacuí, em Charqueadas, que deve criar novas demandas.

Quanto à usina Garabi, Faria teme que esse empreendimento possa levar mais tempo para ser materializado. Entre os fatores que dificultam a realização desse projeto, estão a enorme área que precisará ser alagada e a burocracia que envolve uma obra binacional. De acordo com informações da Eletrobras, os aproveitamentos hidrelétricos de Garabi e de Panambi (hidrelétrica que será concretizada próximo à primeira) somam 2,2 mil MW de capacidade instalada. Os complexos devem receber investimentos de cerca de US$ 5,2 bilhões.

Sobre outras iniciativas que também deverão receber volumosos investimentos nos anos seguintes, o integrante da Fiergs cita os desembolsos bilionários que as principais distribuidoras gaúchas de energia (AES Sul, CEEE-D e RGE) farão, a perspectiva de início da construção da segunda ponte do Guaíba e a duplicação da BR-290 (entre Eldorado do Sul e Pantano Grande).

Segundo o trabalho da Sobratema, o Rio Grande do Sul é o estado da região Sul que receberá o maior investimento. No entanto, a região, como um todo, só terá um aporte maior de recursos do que a Centro-Oeste (R$ 30,8 bilhões). O vice-presidente da Sobratema, Eurimilson Daniel, acredita que o País enxerga a região Sul como bem mais organizada e estruturada e, comparada com as outras, a que menos teria necessidade de investimentos em infraestrutura. Em contrapartida, uma das prioridades do governo será o Nordeste (cerca de R$ 278,7 bilhões em investimentos, superado somente pelo Sudeste, com cerca de R$ 589,6 bilhões).

Vultosos investimentos em infraestrutura não significam necessariamente que do dia para a noite um local se tornará um paraíso. Nesse sentido, apesar de comemorar o crescimento econômico da região, o presidente da Câmara de Comércio de Rio Grande, Renan Lopes, alerta que o desenvolvimento de áreas como as de saúde e segurança precisam avançar no município. O dirigente recorda que, além dos cascos FPSOs da Ecovix, a empresa Quip já tem garantidas obras em plataformas para o próximo ano e que o estaleiro da companhia EBR está sendo implementado em São José do Norte.

Investimentos deveriam ser maiores, aponta Sobratema

Apesar de a palavra trilhão impressionar, o vice-presidente da Sobratema, Eurimilson Daniel, diz que esse nível de investimento em infraestrutura (R$ 1,195 trilhão) fica muito aquém do ideal. O dirigente frisa que o patamar de investimentos do Brasil, em geral, está abaixo de várias economias, não atingindo 20% do PIB, sendo que a China aplica 48%. Quando se fala em investimento direcionado à infraestrutura, esse volume cai ainda mais.

O dirigente enfatiza que o poder público também tem um papel importante como “locomotiva” do País. “Quando o poder público dá credibilidade, a iniciativa privada vem atrás”, justifica Daniel. Na área de infraestrutura, o vice-presidente da Sobratema lembra que um dos maiores impactos ocorreu em 2011, quando o Ministério dos Transportes paralisou diversas obras no País, ocasionando uma série de atrasos. Daniel reitera que o País é uma nação atraente para a iniciativa privada, porém, o governo precisa mostrar isso, não somente quanto à rentabilidade, mas também quanto à segurança jurídica e ao convívio social.

O estudo da Sobratema indica 8,3 mil obras em andamento no Brasil, em projeto ou intenção, em oito setores da economia – óleo e gás, transporte, energia, saneamento, indústria, infraestrutura de habitação, esportiva e outros. O segmento da economia que responde pela maior fatia desse investimento é o de transportes. Estão estimados R$ 369,6 bilhões para o período 2013-2018, o que corresponde a 30,94% do total previsto. O trem de alta velocidade (TAV) ainda é a obra de maior visibilidade e valor, na ordem de R$ 34,6 bilhões.

Os modais que concentram os maiores montantes são as ferrovias, com 34,5%, os portos e hidrovias, com 25,3%, e as rodovias, com 14,3%. Os recursos destinados a essas três modalidades são estratégicos para reduzir os gargalos existentes na área logística, o que resulta em custos adicionais para toda a cadeia produtiva de diversos setores, em especial, do agronegócio. Em 2012, o investimento aplicado na área de transportes representou apenas 0,92% do Produto Interno Bruto.

Com números próximos aos de transporte no País, está o setor de óleo e gás, com aportes financeiros estimados em R$ 346,6 bilhões, o que representa 29,02% do total. O novo Plano de Negócios da Petrobras (PNG 2013-2017) definiu 947 projetos com previsão de investimentos totais de US$ 236,7 bilhões. Na exploração e produção (E&P), que representa 62,3% do montante geral, os valores mais expressivos estão no desenvolvimento da produção, ligados principalmente às reservas descobertas nas áreas do pré-sal.

Falta de planejamento é obstáculo que precisa ser superado pelas autoridades

A falta de um planejamento que contemple todas as áreas de infraestrutura e a interação entre esses segmentos, com definição das fontes dos recursos, período em que seriam aplicados e os benefícios gerados, é um dos graves problemas que precisam ser solucionados pelas autoridades brasileiras. A opinião é do sócio-diretor da Brain Energy Energias Renováveis, Telmo Magadan, que já exerceu a presidência da Ventos do Sul (empresa que atuou na implantação do primeiro parque eólico gaúcho, em Osório) e o comando da secretaria de Planejamento do governo Pedro Simon.

“A própria cidade de Porto Alegre, como outros municípios brasileiros, está confundindo execução de obras com planejamento”, critica o empresário. Magadan acrescenta que é possível identificar diversos planos, mas nada integrado. Para o executivo, o planejamento envolve, primeiramente, uma definição de estratégia e de eixos estruturais.

“Não podemos confundir obra com planejamento, obra é uma decorrência de um processo de planejamento”, sustenta o dirigente. Magadan gostaria de ver o Rio Grande do Sul implantando um plano integrado de sistema de transportes. Uma visão que contemplasse todos os modais: rodoviário, ferroviário e hidroviário. O empresário comenta que uma ferramenta dessas precisa abranger questões como a ambiental e a do transporte público, entre outras.

Sobre um tema que conhece bem, Magadan comenta que o processo de desenvolvimento de energia eólica no Brasil e no Rio Grande do Sul atingiu um patamar importante, porém, é possível evoluir. Particularmente no caso do Estado, o empresário afirma que seria viável instalar na região uma grande indústria de aerogeradores para dar suporte aos parques eólicos.

Área de saneamento básico do País é deficiente e tem que recuperar atraso

Conforme a pesquisa, um dos grandes desafios na área de infraestrutura no Brasil está no setor de saneamento básico, cuja universalização do sistema de escoamento e tratamento de esgoto ainda está distante. De acordo com dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, em 2011, somente 48% da população tinha seu esgoto coletado e 37,5% tinha o esgoto tratado.

No levantamento da Sobratema, até 2018, esse segmento deve receber investimentos de R$ 55,6 bilhões. No entanto, o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) prevê que sejam aportados recursos da ordem de R$ 508,5 bilhões em obras de abastecimento de água potável, coleta e tratamento de esgoto e lixo e em ações de drenagem entre 2014 e 2030. Do total de investimentos previstos, R$ 298 bilhões virão de recursos federais e R$ 210 bilhões, de outros agentes.

No setor de habitação, o programa Minha Casa Minha Vida tem apresentado a maior taxa de realização do PAC 2. Até agosto de 2013, concluiu empreendimentos no valor de R$ 278 bilhões, entregando 1,32 milhão de moradias e beneficiando mais de 4,6 milhões de brasileiros. Os investimentos previstos apenas para a infraestrutura de habitação até 2018 são da ordem de R$ 10,5 bilhões.

A infraestrutura esportiva também está contemplada no estudo Principais Investimentos em Infraestrutura no Brasil até 2018. As arenas, os estádios e as instalações para a Copa do Mundo 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 terão investimentos totais de R$ 5,5 bilhões no período de 2013-2018. O setor composto por hotéis e resorts, shopping centers, hospitais, universidades, teatros e edifícios públicos deve receber aporte de R$ 65,4 bilhões. O setor industrial deve ter investimentos de R$ 145,3 bilhões no período. “A Copa gerou muita mídia, muita expectativa de que o mercado iria aquecer, mas a Copa é a cereja do bolo, representa pouco dos investimentos da pesquisa”, conclui Eurimilson Daniel, da Sobratema.

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A Copa não acabou, ainda faltam 23 obras para serem concluídas

Pra você que achava que a Copa já tinha acabado, saiba que faltam 23 obras que ainda precisam ser concluídas para a Copa do Mundo.

Estas obras deveriam ser concluídas entre 2011 e junho de 2014, antes do início do evento. Pois bem, o evento já teve início, meio e fim, mas as obras ainda estão em andamento, muitas delas ainda não tem sequer prazo para conclusão.

Para ser mais preciso, conforme informações da Folha de S. Paulo, das 23 obras que ainda estão em andamento (para a Copa do Mundo). 10 não tem previsão de conclusão. 5 devem ficar prontas até dezembro de 2014, outras 5 devem ficar prontas nos meados de 2015 e 3 devem ser concluídas apenas em 2016.

A folha destaca as obras ainda em andamento como “sobras da Copa”, são obras de mobilidade, aeroportos e portos, que por diversos motivos não foram concluídos a tempo do mundial, como atrasos em licitações, problemas com a justiça, e claro, atraso nas execuções das obras.

Minimizando os atrasos, o Ministério do Esporte declarou que todas as obras “fundamentais para a realização da Copa ficaram prontas a tempo” as restantes serão concluídas como obras do PAC. 

Nesta terça-feira, a Fifa e o Comitê Organizador Local (COL) da Rússia, se reuniram pela primeira vez para discutir o andamento dos preparativos para a Copa do Mundo de 2018. Após o encontro realizado no Ministério de Esportes e Turismo, em Moscou, a entidade máxima do futebol internacional elogiou os andamentos das obras e os novos projetos propostos pelo país do Leste Europeu.

Presidente do Col, Vitaly Mutko apresentou o organograma das obras para melhorar a infraestrutura da Rússia para receber as seleções e os torcedores do Mundial em 2018. Representante da Fifa no encontro, o secretário-geral Jerôme Valcke se mostrou satisfeito com o material apresentado.

“Surpreende-me o grande entusiasmo, a colaboração e dedicação do COL e do governo russo nesta fase inicial. Agora, temos de garantir que este espírito não esmoreça, porque há muito a fazer na Rússia. Mas terão total apoio da Fifa”, Valcke.

Entretanto, apesar dos elogios, o representante da Fifa destacou a necessidade da Rússia investir o quanto antes para solucionar seus problemas. “Aprendemos com a África do Sul e com o Brasil que precisamos de tempo para preparar o torneio. Há muito trabalho para se fazer na Rússia”, disse.

Ao todo, serão realizadas duas reuniões anuais entre a entidade e o comitê organizador russo, pelo menos até a Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil. A escolha das sedes para a disputa na Rússia só será anunciada no mês de outubro de 2012.

Até 2018, o Brasil poderá receber R$ 1,19 trilhão de investimentos em obras de infraestrutura. Esta cifra está vinculada a 8.300 obras em andamento, em projeto ou em intenção em oito setores da economia: óleo e gás, transporte, energia, saneamento, indústria, infraestrutura de habitação, infraestrutura esportiva e outros (hotéis, shopping centers etc.).
“Estamos muito abaixo do que o Brasil necessita. O ideal seria investir 5% do PIB e se investe 2,5%”, pontuou Eurimilson J. Daniel, vice-presidente da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema).
Daniel fez esse comentário em 13 de novembro, no Espaço Hakka, no bairro da Liberdade, em São Paulo, quando foi apresentada para centenas de executivos de empresas a 4ª edição da pesquisa “Principais Investimentos em Infraestrutura no Brasil até 2018”, encomendada pela Sobratema às empresas Criactive e e8 Inteligência.
Segundo Daniel, que também é o principal executivo da Escad Rental, o Brasil atualmente investe proporcionalmente menos, em relação ao PIB, que países menores, como o Chile, por exemplo, ou de rápida expansão econômica, como a China. O custo Brasil e as taxas de juros, disse ele, funcionam como algozes do desenvolvimento da economia do país. As carências em infraestrutura preocupam os empresários de praticamente todos os ramos de atividade.
A pesquisa da Sobratema revela que há R$ 497,2 bilhões sendo investidos em 4.614 obras em andamento. Também há intenção de investir R$ 697,3 bilhões em outras 3.686 obras. Desse total, contabiliza-se R$ 444,6 bilhões (604 obras) com data de início e R$ 252,7 bilhões (3.082 obras) estão no papel, sem previsão para começar.
O segmento de transportes é o que responde pela maior fatia do bolo de investimentos. Calcula-se que há R$ 369,6 bilhões de investimentos programados para o período 2013-18, o que equivale a 30,94% do total previsto. Com um valor da ordem de R$ 34,6 bilhões, o trem de alta velocidade (TAV) é o principal projeto do setor e não tem data para começar. Outros modais que concentram os maiores montantes de investimentos: ferrovias, 34,5%; portos e hidrovias, 25,3%; e rodovias, 14,3%. Considera-se que os recursos destinados a essas três modalidades são estratégicos para reduzir os gargalos existentes na área logística, que resultam em custos adicionais para toda a cadeia produtiva. No ano passado, o investimento destinado à área de transporte representou apenas 0,92% do PIB.
Óleo e gás – O setor de óleo e gás, com aportes da ordem de R$ 346,6 bilhões, abarca 29,02% do total de investimentos previstos. A pesquisa apurou que as obras em andamento de 2009 até 2012 totalizaram R$ 365,1 bilhões. Investimentos de 2013 a 2018 (obras em andamento): R$ 242,2 bilhões; R$ 9 bilhões de investimentos em obras paralisadas; e R$ 104,3 bilhões em intenção.
O novo Plano de Negócios da Petrobras definiu 947 projetos que deverão receber US$ 236,7 bilhões até 2018 – destes, 770 estão em andamento e 177 em avaliação. A exploração e a produção de petróleo ficam com 62,3% do montante geral, por conta, principalmente, da produção ligada às reservas nas áreas do pré-sal. Além do pré-sal, as refinarias do Maranhão e de Fortaleza estão entre as principais obras desse ramo.
Daniel afirmou que a Petrobras tem investido, ultimamente, a média de R$ 43 bilhões/ano. Mas, em 2013, o nível caiu para R$ 42 bilhões. A expectativa, no entanto, é a de que em 2014 os investimentos da estatal subam 14% em relação ao exercício atual. “Não é o suficiente, mas é um caminho”, ele opina.
O setor energético tem investimentos previstos da ordem de R$ 196,1 bilhões. As obras de geração de eletricidade representam 87,6% desse total. A evolução da relação entre as fontes renováveis (46%) e as não renováveis (54%) continua relativamente estável, com destaque apenas para o crescimento contínuo das fontes renováveis alternativas, que representavam 3,1% em 2003 e 4,6% em 2012. A oferta de energia cresceu somente 0,3%, novamente abaixo do PIB e abaixo do crescimento populacional. Na outra ponta, o aumento de consumo em 2012 foi de 3,8%.
Pior ainda é a situação do setor de saneamento básico, cuja universalização do sistema de escoamento e tratamento de esgoto ainda está distante: somente 48% da população tem esgoto coletado e 37,5% tem o esgoto tratado. De acordo com o levantamento da Sobratema, esse segmento deverá receber, até 2018, investimentos de R$ 55,6 bilhões.
O Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) prevê, no entanto, que sejam aportados recursos da ordem de R$ 508,5 bilhões em obras de abastecimento de água potável, coleta e tratamento de esgoto e lixo e em ações de drenagem, entre 2014 e 2030. Do total de investimentos previstos, R$ 298 bilhões serão recursos federais e R$ 210 bilhões de outros agentes.
Na área de habitação, o programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal, tem apresentado a maior taxa de realização do chamado PAC 2 – Programa de Aceleração da Economia. Até agosto deste ano, foram concluídos empreendimentos no valor de R$ 278 bilhões, com a entrega de 1,32 milhão de moradias, o que beneficiou mais de 4,6 milhões de pessoas. Os investimentos previstos apenas para a infraestrutura de habitação, até 2018, giram em torno de R$ 10,5 bilhões.
No país que será sede da Copa do Mundo de Futebol (2014) e da Olimpíada de 2016 (Rio de Janeiro), a infraestrutura esportiva ocupa lugar de destaque na pesquisa da Sobratema. As arenas, estádios e instalações para a Copa e para os Jogos terão investimentos totais de R$ 5,4 bilhões no período 2013-2018.
O segmento composto por hotéis e resorts, shopping centers, hospitais, universidades, teatros e edifícios públicos deverá receber aportes de R$ 65,4 bilhões. Já o setor industrial deverá absorver investimentos de R$ 145,3 bilhões no período 2013-18.
A pesquisa da Sobratema é editada desde 2010 e gera um entendimento maior sobre a necessidade de investimentos em infraestrutura no Brasil para a redução de gargalos que dificultam o crescimento econômico e a elevação da competitividade. Para a elaboração do documento, mais de mil fontes primárias e secundárias foram consultadas e entrevistas foram realizadas com as principais construtoras do país.
As empresas – O consultor Brian Nicholson exibiu durante o evento o resultado de uma sondagem realizada em outubro deste ano com construtoras e locadoras do mercado de equipamentos para construção. Para 46% delas, 2013 foi um ano pior do que o esperado. 44% disseram, no entanto, que o ano foi melhor em volume de negócios do que 2012.
Entre os principais problemas apontados pelos empresários estão: o atraso em obras (76%), o custo da mão de obra (24%) e a falta de mão de obra especializada (24%). 2014 será um ano melhor do que este para 52% dos entrevistados. Já a demanda por equipamentos de construção deverá ser maior (54% das opiniões).
Daniel exibiu dados de pesquisa efetuada com as principais construtoras: 78% disseram que cresceram em 2013; a burocracia é o principal gargalo (89%). Para 56%, a expectativa é a de que 2014 será um ano igual a este exercício. E 33% manifestaram a opinião de que as obras da Petrobras devem continuar.
Rubens Sawaya, da Insight Consultoria Econômica, classificou 2013 como um “ano lento”, com o PIB crescendo ao redor de 2% e baixa taxa de investimentos. “Há um ensaio de recuperação econômica. Mas ainda é lento”, declarou. Não há perspectiva de descontrole inflacionário e 2014 deverá registrar crescimento econômico baixo (3,5%), porém melhor do que 2013. Por ser ano eleitoral, a aposta é que haverá retomada do gasto público.

qatar cidade copa mundo (6)

Catar será o país-sede da Copa do Mundo em 2022, mas ele não é grande, com uma população de 2,1 milhões. Então, preparando-se para os milhões de pessoas que chegarão daqui a oito anos, o país vai realizar projetos gigantescos – por exemplo, construir uma cidade inteiramente nova a partir do zero.

Ela se chama Lusail, e está prevista para ser concluída em 2020 ao custo de bilhões de dólares. Esse é um prazo incrivelmente curto, considerando que algumas cidades levam seis anos só para construir um estádio novo. E o plano é a imagem fantasiosa de um desenvolvimento urbano utópico, que parece saído dos anos 1960.

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A construção de Lusail está cercada por questionamentos: por exemplo, investigações revelam abusos de direitos humanos dentro dos canteiros de obras, nos projetos para a Copa do Mundo. Alguns argumentam que o Catar não deveria mais ser país-sede.

Enquanto isso, as temperaturas incrivelmente altas no verão fizeram outros sugerir que os jogosdeveriam ser realizados em janeiro, durante o inverno, não no meio do ano. E alegações de suborno dentro da FIFA só pioram a situação. A Copa do Mundo de 2022, basicamente, está em apuros.

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Há centenas de milhares de trabalhadores visitantes no Catar, todos eles com vistos patrocinados por seus empregadores. Este sistema se chama kafala, e permite que o chefe retenha seus funcionários mesmo se eles tentarem sair do país.

Embora haja dezenas de projetos em andamento por todo o país, Lusail é, de longe, o maior: uma cidade inteiramente nova a ser construída para 450 mil habitantes perto da capital, Doha.

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Neste terreno de 35 km², Catar está despejando US$ 45 bilhões para erguer uma nova cidade dentro de poucos anos. Será um “ambiente inteligente, pacífico e inspirador”, nas palavras daLusail Real Estate Development Company. “Um projeto futurista que irá criar uma sociedade moderna e ambiciosa.” Será uma área de luxo cercada por águas cristalinas do Golfo Pérsico, e abrigará dezenas de bairros novíssimos e sistemas de infraestrutura.

Com 19 distritos separados, quatro ilhas “exclusivas”, bairros residenciais, áreas comerciais e muitas comodidades, ela também servirá como o ponto central da Copa do Mundo – e será a imagem que o Catar quer passar ao resto do mundo. Se tudo correr conforme o planejado, será uma imagem de lazer e eficiência movidas pela tecnologia.

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E no centro de toda essa novidade ficará o Lusail Iconic Stadium, um dos dez estádios sendo construídos no pequeno país, na preparação para a Copa do Mundo. Projetado pelo venerável arquiteto britânico Norman Foster, o estádio de 86.000 assentos será carbono zero, alimentado totalmente por energia solar. Ele terá uma série de dispositivos – “nuvens artificiais” que custam US$ 500.000 – para se proteger do sol. Flutuando por cima do estádio, escudos de fibra de carbono serão levantados por vários motores movidos a energia solar.

Problemas atuais para a cidade do futuro

Na semana passada, dois ativistas de direitos humanos – que investigam abusos a trabalhadores migrantes nos canteiros de obras da Copa – desapareceram no Catar. Os dois disseram que estavam sendo seguidos pela polícia, e então sumiram. Dias depois, o Catar confirmou que havia detido os homens sem explicar os motivos.

Por que dois ativistas investigando a construção da Copa do Mundo seriam de interesse para o governo? Bem, diversos relatórios de organizações de direitos humanos e jornalismo investigativo apontam para uma verdade inevitável: esses projetos estão sendo erguidos por trabalhadores migrantes que constantemente sofrem abusos. Estes são alguns exemplos:

  • um relatório da Confederação Sindical Internacional diz que até 4.000 trabalhadores podem morrer até a Copa do Mundo em Catar, devido às más condições de trabalho e segurança.
  • uma reportagem do Guardian mostrou em 2013 que 44 trabalhadores nepaleses morreram ao longo de um período de três meses no local, metade devido a “ataques cardíacos, insuficiência cardíaca ou acidentes de trabalho”.
  • vem ocorrendo um grande número de ataques cardíacos entre funcionários, porém o comentário das autoridades foi curto e grosso: “esta questão seria mais adequada para as autoridades de saúde ou para o governo do Nepal”.
  • em maio, o governo do Catar admitiu que quase 1.000 funcionários migrantes morreram no país em 2012 e 2013, 246 deles de “morte súbita”, provavelmente devido ao esforço físico do trabalho manual em temperaturas muitas vezes acima de 40°C.
  • outra reportagem do Guardian, do final de junho, relata que trabalhadores migrantes em obras da Copa do Mundo passaram um ano sem receber salário, vivendo em “habitações infestadas de baratas”, impossibilitados de voltar para seus países de origem, e deixados sem comida por meses.
  • um documentário gravado dentro dos acampamentos de trabalhadores revela que eles às vezes não têm acesso a água potável, banheiros, comida e outras necessidades humanas básicas.

Talvez o pior de tudo é o fato de que os trabalhadores não têm mais comando sobre as próprias vidas: com o visto patrocinado pelo empregador, eles não podem mudar de emprego nem deixar o país sem autorização expressa. Tudo para construir uma marca nova cidade grande o suficiente, para abrigar o que equivale a mais de um quarto da população atual do Catar.

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Um preço alto para os jogos

Os planos de Catar rivalizam com os planos do Brasil e até da Rússia. Nós gastamos R$ 26 bilhões na Copa, a maior parte vinda dos cofres públicos. A Rússia vai gastar o equivalente a R$ 45 bilhões para sediar a Copa de 2018. E para Lusail sair do papel, serão gastos mais de R$ 100 bilhões (os US$ 45 bilhões do título).

Enquanto isso, algumas cidades estão retirando suas propostas para sediar os próximos Jogos Olímpicos, devido à quantidade enorme de dinheiro exigida para tocar um projeto como este. Só os países que têm bilhões para gastar na empreitada ainda estão na disputa.

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Os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo, dois eventos tidos até então como uma forma de cooperação internacional e desenvolvimento urbano, estão cada vez mais limitados a nações que têm dinheiro e recursos para sediá-los. Como disse um ativista russo no ano passado, estes eventos são “como drogas para ditadores”; o comentário veio após relatos sobre abusos de direitos humanos entre os trabalhadores migrantes em Sochi.

Em certa medida, esses abusos continuam porque outros países não deixam de apoiar e visitar esses eventos. É fácil sentir-se ultrajado agora, mas no final, tudo se resume a duas semanas em 2022. Infelizmente, a maioria esquece todas essas acusações depois que os jogos começam.

ede da Copa do Mundo 2018, a Rússia divulgou o valor total da preparação para o megaevento. Segundo o Comitê Organizador Local (COL) do Mundial e o governo russo, a organização da competição custará R$ 45 bilhões.

O valor é 60% maior que o custo da Copa 2014, que chegará a R$ 28 bilhões — a atualização do investimento foi divulgado pelo Ministério do Esporte há 20 dias.

De acordo com  Vitaly Mutko, presidente do COL da Copa de 2018, mais de mil propostas foram estudadas. “O resultado desse esforço foi usado para desenvolver o cenário para as preparações estruturais, e de acordo com ele nós selecionamos apenas as instalações com as quais um torneio como esse precisa ter para ser promovido”, disse.

No total, o Mundial russo terá 292 instalações, com 113 centros de treinamento, 62 hotéis, 12 estádios, 11 aeroportos. Assim como ocorre no Brasil, a preparação inclui investimento nas áreas de comunicação, transporte e eletricidade.

“Essas instalações são capazes de trazer retorno máximo aos investimentos de longo prazo, e fazer com que a Copa do Mundo de 2018 deixe um legado, que contribua para o desenvolvimento regional e o crescimento econômico do país”, afirmou Mutko.

A Copa 2018 terá 11 cidades-sede. As 64 partidas serão disputadas em 12 estádios — 11 deles serão construídos.

Rússia inicia febre da construção para Copa 2018

O Ministério dos Esportes da Rússia calculou mais uma vez os custos da realização da Copa do Mundo de 2018 no país. De acordo com o cronograma do programa de preparação para o mundial, o custo diminuiu em US$ 1,3 bilhão, e está agora avaliado em US$ 17,5 bilhões.

“Além dos estádios precisamos construir mais de 300 objetos: a base de treinamento e alojamento dos jogadores, comunicações, instalações elétricas etc.”, diz o ministro dos Esportes russo, Vitáli Mutko.

“Já tem gente falando em desvio de dinheiro, atraso das obras etc. Não vale a pena prestar atenção a isso. Esse tipo de conversar sempre vai acontecer. Eventos como os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo criam milhares de empregos e ajudam o país a passar para um novo patamar.”

Kazan e Sôtchi prontas

O Kazan Arena é o primeiro dos 12 estádios da Copa de 2018 pronto para ser usado. O jogo inaugural no estádio acontecerá em 26 de maio. O Kazan Arena foi projetado para 45 mil espectadores e lembra um pouco um dos melhores estádios do mundo: o do Arsenal de Londres, Emirates.

A semelhança não é coincidência, já que a mesma empresa que projetou a arena dos Gunners trabalhou no projeto do estádio de Kazan, bem como a renovação do Wembley e do Estádio Olímpico de Londres.

Para a construção do Kazan Arena foram injetados US$ 402 milhões. O custo do estádio de Kazan é comparável ao custo das arenas brasileiras que irão sediar os jogos decisivos da Copa.

Assim, o Estádio Mané Garrincha (71 mil lugares), que vai receber as quartas de final e o jogo pelo terceiro lugar, custou ao Brasil US$ 400 milhões. Um pouco mais cara foi a construção do Arena Corinthians (65 mil lugares), que vai receber uma das semifinais do torneio e que custou US$ 403 milhões.

O estádio Fisht, em Sôtchi, que sediou a abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, também já está pronto para receber jogos da Copa. Ele foi projetado pela empresa de arquitetura Populous, que tem em seu currículo, entre outros, o Yankee Stadium, em Nova York, o Estádio Olímpico de Chicago e o estádio So Kon Po.

“O projeto do estádio prevê que no inverno ele reflita a luz em um determinado ângulo de modo que o sol penetre dentro dele e, no verão, quando o sol está alto, ele garanta sombra dentro do estádio”, diz o diretor da Populous, Damon Lavelle.

Construções da capital a caminho

Se os estádios de Kazan e Sôtchi já estão prontos para receber jogos, em outras cidades russas as coisas estão mais lentas. As obras mais próximas da conclusão são as do moscovita Otkrítie Arena, o novo estádio do Spartak de Moscou que será inaugurado no final de julho de 2014.

Já a sofrida Zenith Arena, em São Petersburgo, que está em construção desde 2006, só ficará pronta em meados de 2016.

Ainda outro estádio em Moscou não estará pronto em breve: a lendária Arena Lujniki, que sediou os Jogos Olímpicos de 1980 e que está fechada para reforma. É no novo Lujniki que será disputada a final da Copa. Para preparar o estádio para o jogo mais importante do campeonato foram alocados US$ 534 milhões.

As arenas das outras regiões da Rússia serão construídas por empresas nacionais. Assim, a construção do estádio em Níjni Nôvgorod e Volgogrado estará a cargo da Stroitransgaz, de Guennádi Timtchenko; a Crocus Group, de Aras e Emin Agalarov, será a empreiteira geral em Kaliningrado e Rostov-na-Donu, já em Ekaterimburgo a reconstrução ficará a cargo da Sinara Development, de Dmítri Pumpianski.

“Os clientes do projeto são as próprias administrações regionais. Nosso objetivo é fazer com que os estádios encomendados passem pelo crivo da Fifa”, disse Mutko.

As administrações regionais responderão pessoalmente pelos estádios.

Experiência brasileira

As autoridades russas asseguram que analisaram cuidadosamente a experiência brasileira na preparação para a Copa de 2014 e que farão todo o possível para evitar eventuais erros cometidos pelo país.

“Meus colegas da comissão organizadora passarão todo o período da Copa no Brasil e aprenderão com a experiência local. Também organizaremos um amplo programa para nossas regiões com os respectivos representantes das diferentes regiões do Brasil”, disse o presidente da comissão organizadora do Copa 2018 na Rússia, Aleksêi Sorókin.

“Um dos principais problemas do futebol russo é a infraestrutura”, disse àGazeta Russa o secretário-geral da União de Futebol da Rússia, Anatóli Vorobiov.

Depois dos Jogos Olímpicos de 1980, foi construído em Moscou apenas um novo estádio, o Lokomotiv. Agora, os clubes de Moscou têm que jogar no Khímki e Ramênskoie, nos subúrbios da cidade.