A 100 dias da Copa, só 18% das obras de infraestrutura foram entregues Parte:2

Posted: March 5, 2014 in Uncategorized

Além das obras da Matriz, os governos locais de algumas cidades-sedes também estão realizando obras independentes de infraestrutura visando o Mundial. No entanto, grande parte destas intervenções também sofre com atrasos e algumas obras entregues apresentam problemas, como é o caso de 11 projetos da cidade de Cuiabá que tiveram erros apontados em um relatório do Conselho Regional de Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea).

Tabela Matriz 01 (Foto: Infoesporte)

 

Estádios também atrasam, e valor total da Matriz ainda deve subir

Além das obras de infraestrutura, a construção e reforma dos 12 estádios da Copa também sofre com sucessivos atrasos e aumentos nos custos. Apenas duas arenas foram entregues dentro do prazo estabelecido pela Fifa – Mineirão e Castelão, entregues em dezembro de 2012, seis meses antes da Copa das Confederações – e o valor geral subiu 48% em comparação com o que foi previsto em 2010 (de R$ 5,38 bilhões para R$ 8 bilhões).

Tabela Matriz 02 (Foto: Infoesporte)

Até o momento, oito dos 12 estádios foram entregues (66%). A Arena da Amazônia será o nono, com inauguração marcada para o próximo domingo. No entanto, Arena Pantanal, Arena Corinthians e Arena da Baixada só devem ser concluídas entre abril e maio, a poucos dias do início do Mundial.

Além das obras de infraestrutura e dos estádios, a Matriz de Responsabilidades da Copa também prevê os investimentos em segurança (R$ 1,87 bilhão), telecomunicações (R$ 404 milhões), turismo (R$ 180 milhões) e instalações complementares (R$ 208 milhões). O valor da somatória de todas as áreas até o momento é de R$ 25,5 bilhões – sendo que apenas R$ 3,7 bilhões são de recursos exclusivamente privados (14,5%). 

Custo total que deve subir nos próximos meses: alguns gastos ainda não foram computados, como no caso das instalações temporárias, que somam por enquanto apenas valores referentes à Copa das Confederações.

Visão aérea da Arena da Baixada, estádio do Atlético-PR (Foto: Site oficial do Atlético-PR/Alexandre Carnieri/Studio Gaea)

 

Para especialista, problema está na gestão

Os atrasos e o aumento de custos da maioria dos projetos de infraestrutura para a Copa refletem um grave problema de gestão, segundo o professor de administração pública da Universidade de Brasília, José Matias Pereira.

– A questão do planejamento deficitário fica muito clara na elaboração dos projetos dessas obras. Fica clara a incapacidade dos governos de promoverem uma boa gestão. 

De acordo com o especialista, o problema está no próprio sistema de administração pública, que contém falhas que dificultam o a realização de projetos complexos como os investimentos para o Mundial. Ainda segundo o professor, este panorama abre brechas para situações como o desperdício de dinheiro público e a corrupção.

– Nós temos no Brasil um problema sério de gestão pública, com mecanismos que levam os diferentes níveis de governo a ficarem transferindo as pendências de um para o outro. Por culpa dos próprios governantes, a administração pública hoje não tem condições adequadas para fazer a gestão de obras dessa dimensão. Este contexto abre duas janelas perigosas: uma que pode levar ao desperdício de dinheiro público e outra que pode levar à corrupção. Começamos então a entrar em um terreno pantanoso que leva a essa situação de descrédito da administração pública diante da população – avaliou José Matias Pereira.

Governo admite dificuldades, mas garante que obras ficarão prontas

Secretário-executivo do Ministério do Esporte e coordenador do grupo de trabalho que administra a Matriz de Responsabilidades, Luís Fernandes, admite as dificuldades de gestão enfrentadas pelo governo federal nos projetos da Copa, principalmente na área de infraestrutura, que conta com investimentos federais, estaduais, municipais e privados. Segundo o secretário, são obras complexas, que apresentam diferentes problemas de planejamento e execução que afetam não apenas os projetos para o Mundial.

– É uma lista grande de obras com uma governança complexa. Envolve projetos do governo federal, dos governos estaduais e dos governos municipais. No caso da mobilidade urbana, predominantemente ações de Estados e Municípios. Então, durante a execução começam a haver problemas em algumas obras e identifica-se a necessidade de que outras sejam incorporadas… Não é um problema da Copa, é um problema do Estado brasileiro como um todo. Não vou responsabilizar um ou outro nível da Federação, mas o Estado tem que aprender a ser mais ágil – afirmou Luís Fernandes.

Com relação ao aumento de custos na maioria das obras, o secretário defende que as mudanças ocorreram principalmente porque em 2010, quando a Matriz foi assinada, os projetos ainda eram muito simples e não contavam com estimativas detalhadas de preços e materiais.

– A primeira montagem da Matriz foi feita a partir de uma projeção de valores ainda sem muita precisão dos elementos de cada obra. Essa projeção é sempre muito variável. É um aprendizado que estamos aplicando para a os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016. Vamos divulgar o valor concreto das obras apenas quando forem lançadas as licitações, porque assim a previsão dos investimentos já será muito mais precisa. 

Apesar dos problemas, Luís Fernandes se disse confiante de que as obras serão entregues a tempo da Copa. Segundo o secretário, os atrasos não provocarão nenhum risco para a organização do Mundial.

– O ideal seria ter entregue tudo nos prazos, mas isso não quer dizer que a qualidade vai ser afetada. Apenas teremos um esforço administrativo maior. Vamos fazer uma grande Copa do Mundo, assim como fizemos uma grande Copa das Confederações. As obras ficarão prontas. Tudo que é essencial vai funcionar. Vamos entrar agora em um período de entregas. De março até maio acredito que a maioria estará concluída.

O secretário também fez questão de destacar que a maior parte das obras de infraestrutura prevista na Matriz estão mais relacionadas com benefícios para a população das cidades-sedes que propriamente com a realização do Mundial.

– Fundamentais mesmo para a realização da Copa do Mundo são os estádios e as obras complementares de operação destes estádios, tanto é que estes são os itens que contam com especificações detalhadas da Fifa. Apesar disso, a visão do governo sempre foi de que a Copa é mais que um evento. É uma oportunidade para antecipar e acelerar investimentos em infraestrutura. A Matriz então traz um plano de obras que o país já precisava há muito tempo e que levaria um longo período para serem realizadas se não tivéssemos a Copa. O Mundial ofereceu a oportunidade de antecipar investimentos.

Ainda segundo Luís Fernandes, todas as obras que foram excluídas da Matriz acabaram incorporadas no Pac da Mobilidade e devem ser concluídas depois da Copa do Mundo, mantendo assim o legado para as cidades.

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