Que inauguração, Mané?

Posted: April 29, 2013 in Uncategorized

Vinte e um de abril de dois mil e treze. Data em que estava marcada a inauguração do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha. Mas que inauguração, Mané?

Uma semana antes, sem ao menos avisar aos membros da Fifa que viriam prestigiar a entrega do quarto estádio para a Copa das Confederações, o governo do Distrito Federal anunciou o adiamento da inauguração para o dia 18 de maio –  por conta das chuvas que prejudicaram o trabalho de drenagem e implantação do gramado do estádio.

Na última segunda-feira (22), tive a oportunidade de percorrer todas as áreas do estádio. E confesso que até agora não entendi o que o governo esperava entregar nesta data. O Estádio Nacional de Brasília está oco. Em todos os setores faltam acabamentos, instalações elétricas, hidráulicas, ar-condicionado etc. 

Não é difícil afirmar que no dia 15 de junho, abertura da Copa das Confederações, ainda não teremos um estádio completo.

No entanto, apesar do atraso e de uma aparente tranquilidade da construtora, o estádio é uma verdadeira aula de arquitetura esportiva. Seu desenho é imponente em meio à arquitetura de Niemeyer da capital federal e extremamente acolhedor para quem está em qualquer nível da arquibancada. Dentro do estádio a temperatura fica em torno de 5 graus abaixo da exterior, fruto de um projeto competente que reduz o uso de sistemas de climatização. 

De qualquer um dos 70 mil lugares é possível ter uma visão perfeita. Existe apenas um ponto cego, curiosamente em frente à sala da Fifa, de onde o presidente da entidade acompanhará a partida inaugural da Copa das Confederações.

Diferente de outros estádios, a arena de Brasília apresenta áreas de circulação amplas e sem pilares, que obstruem o fluxo das pessoas. O espaço entre as cadeiras retráteis são suficientes para passagem de pessoas, com intervalos de no máximo 25 cadeiras. O sistema de som que estava sendo testado é excelente. E o placar eletrônico pode ser visto de qualquer ponto do estádio.

O Mané Garrincha irá surpreender seus usuários: na verdade ficou claro que Brasília não terá um estádio de futebol, mas sim o maior e melhor ginásio multiuso do país. Para que não se torne um Elefante Branco, terá que buscar uma grande empresa para sua gestão. Mas o fato de não ter times com grande expressão no futebol nacional, no caso de Brasília, pode ser um ponto a seu favor, pois ali poderão ser montadas megaestruturas, sem prejudicar os times que mandarão partidas no estádio. Campeonatos de vôlei, basquete, motocross, superrampas, futebol americano, grandes shows, raves: a arena de Brasília estará preparada para tudo aquilo que o público da cidade com maior renda per capita do país queira consumir.

Mas será preciso trabalhar com planejamento sério para que o GDF prove com a prática que o investimento feito na nova arena teve a mesma visão desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek, que transformou Brasília na quarta maior metrópole do país.

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